terça-feira, 29 de maio de 2012

ESTRESSE E SAÚDE


Rodrigo Pablo de Oliveira

         Um dos primeiros cientistas a demonstrar experimentalmente a ligação do estresse com o enfraquecimento do sistema imunológico segundo Vilela (2007), foi Louis Pasteur (1822-1895). Em estudo pioneiro no final do século XIX, ele observou que galinhas expostas a condições estressantes eram mais suscetíveis a infecções bacterianas que galinhas não estressadas. Desde então, o estresse é tido como um fator de risco para inúmeras patologias que afligem as sociedades humanas.
Baseado nos estudos de Sardá Jr, Legal e Jablonski Jr (2004), a automação crescente dos processos de produção, sustentada pela rápida transformação do conhecimento científico, a informatização, o desenvolvimento dos meios de comunicação de massa - base para a globalização - entre outros fatores da vida moderna, dão novos rumos
e sentidos ao trabalho e provocam grande impacto sobre as condições de vida dos trabalhadores, seja pelos benefícios alcançados, com os novos adventos, tecnológicos e estruturais seja mediante, as adversidades imposta pela velocidade dessas transformações. Nesse contexto, os trabalhadores ficam expostos a inúmeros eventos estressantes e podem apresentar uma série de comprometimentos biopsicossociais[1].
            Ambientes de trabalho dinâmicos também levam a necessidade de uma constante adaptação, exigindo dos trabalhadores estratégias para enfrentar os novos desafios. Nas palavras de Sardá Jr, Legal, Jablonski Jr (2004):

[...] As atividades de trabalho muitas vezes possuem agentes estressores para o indivíduo; contudo, o tipo de agente e a sua manifestação se diferenciam pela situação e pelo contexto ocupacional, [...] Mostram que tanto o estresse ocupacional e o burnout e a exaustão emocional são manifestações emocionais de tensão no trabalho e são produtos da interação entre fatores ambientais e percepções e comportamentos do individuo. Essas manifestações não residem isoladamente no ambiente ou no indivíduo, mas são resultados de transações dinâmicas que ocorrem entre esses elementos. (COOPER, DEWE, O`DRISCOLL, 2001, citado por SARDÁ JR, LEGAL e JABLONSKI JR, 2004, p.38).


            A Organização Internacional do Trabalho (OIT) de acordo com MENEZES (2006) esclarece que o estresse pode afetar a saúde do trabalhador, por se tratar de um conjunto de fenômenos que se apresentam no organismo do trabalhador. Os principais fatores que geram estresse presentes no meio ambiente de trabalho envolvem os aspectos da organização, administração e sistema de trabalho e da qualidade das relações humanas.
No entanto, como expõe Ramirez (2009), em todas as atividades existe sempre um nível de estresse que toma parte da vida, e que inclusive é indispensável para o desenvolvimento, o funcionamento do organismo e da adaptação ao meio, atuando como fator de motivações para vencer e superar obstáculos.
No início do século XX, afirma Lipp (1996), a causa mais freqüente de morte era infecção; hoje são as doenças cardiovasculares, e o nível de estresse tem sido um dos fatores que mais contribuem para o agravamento deste quadro.
Matos (2007) esclarece que, procedimentos rígidos de trabalho, com pouca autonomia do trabalhador no desenvolvimento de tarefas;  ou excesso de trabalho inadequado,  a monotonia e a fragmentação do trabalho e a ausência de pautas em tarefas que exigem descansos periódicos, prejudicam a saúde do trabalhador.
Define-se, portanto que o trabalho no período contemporâneo, se tornou algo alienante pela falta de poder, insatisfação, frustração. Os trabalhadores estão em um mundo insensível e hostil às suas pretensões e necessidades.
Com o surgimento das doenças psicossomáticas, ocorre de acordo com Matos (2007) a queda de produção, despesas médicas e administrativas sem retorno, clima interpessoal negativo, indicação de problema pessoal e diagnóstico de problemas.
Baseando no pressuposto de que o estresse faz parte da vida humana, sendo ainda, exacerbado pelas exigências da sociedade moderna é possível afirmar que ele está presente em todos os contextos de trabalho.
O estresse é então a reação de um sujeito às agressões sociais, psicológicas ou profissionais de seu ambiente. Nas palavras de Menezes:

Um dos pontos importantes que podem sustentar esta realidade é o processo de transformação gradativa das doenças do trabalhador para doenças do trabalho, alienando o sujeito do seu adoecimento. As lutas ideológicas ocorridas nos séculos XIX e XX em torno do papel do indivíduo se substanciaram, de um lado, nas correntes conservadoras que se amparavam numa concepção individualista, recusando-se reconhecer as determinações sociais. Por outro lado, correntes mais progressistas criticavam essa concepção e buscavam uma determinação social que pudesse estar relacionada ao adoecimento do indivíduo. (MENEZES, 2006,p.55).



[1] O ser humano é constituído por fatores multivariados, multifatoriais e multidimensionais. Seu físico, seu psiquismo, sua história de relações com outras pessoas, com a família, com os grupos sociais. Todos esses fatores se completam gerando um ser único, sendo impossível dividi-lo