Rodrigo Pablo de Oliveira
Um dos
primeiros cientistas a demonstrar experimentalmente a ligação do estresse com o
enfraquecimento do sistema imunológico segundo Vilela (2007), foi
Louis Pasteur (1822-1895). Em estudo pioneiro no final do século XIX, ele
observou que galinhas expostas a condições estressantes eram mais suscetíveis a
infecções bacterianas que galinhas não estressadas. Desde então, o estresse é
tido como um fator de risco para inúmeras patologias que afligem as sociedades
humanas.
Baseado nos estudos de Sardá
Jr, Legal e Jablonski Jr (2004), a automação crescente dos processos de
produção, sustentada pela rápida transformação do conhecimento científico, a
informatização, o desenvolvimento dos meios de comunicação de massa - base para
a globalização - entre outros fatores da vida moderna, dão novos rumos
e
sentidos ao trabalho e provocam grande impacto sobre as condições de vida dos
trabalhadores, seja pelos benefícios alcançados, com os novos adventos, tecnológicos
e estruturais seja mediante, as adversidades imposta pela velocidade dessas
transformações. Nesse contexto, os trabalhadores ficam expostos a inúmeros
eventos estressantes e podem apresentar uma série de comprometimentos
biopsicossociais[1].
Ambientes
de trabalho dinâmicos também levam a necessidade de uma constante adaptação,
exigindo dos trabalhadores estratégias para enfrentar os novos desafios. Nas
palavras de Sardá Jr, Legal, Jablonski Jr (2004):
[...] As atividades de trabalho muitas vezes
possuem agentes estressores para o indivíduo; contudo, o tipo de agente e a sua
manifestação se diferenciam pela situação e pelo contexto ocupacional, [...] Mostram
que tanto o estresse ocupacional e o burnout e a exaustão emocional são
manifestações emocionais de tensão no trabalho e são produtos da interação
entre fatores ambientais e percepções e comportamentos do individuo. Essas
manifestações não residem isoladamente no ambiente ou no indivíduo, mas são
resultados de transações dinâmicas que ocorrem entre esses elementos. (COOPER, DEWE,
O`DRISCOLL, 2001,
citado por SARDÁ
JR, LEGAL e JABLONSKI JR, 2004, p.38).
A
Organização Internacional do Trabalho (OIT) de acordo com MENEZES (2006)
esclarece que o estresse pode afetar a saúde do trabalhador, por se tratar de
um conjunto de fenômenos que se apresentam no organismo do trabalhador. Os
principais fatores que geram estresse presentes no meio ambiente de trabalho
envolvem os aspectos da organização, administração e sistema de trabalho e da
qualidade das relações humanas.
No
entanto, como expõe Ramirez (2009), em todas as atividades existe sempre um
nível de estresse que toma parte da vida, e que inclusive é indispensável para
o desenvolvimento, o funcionamento do organismo e da adaptação ao meio, atuando
como fator de motivações para vencer e superar obstáculos.
No início do século XX, afirma Lipp (1996),
a causa mais freqüente de morte era infecção; hoje são as doenças
cardiovasculares, e o nível de estresse tem sido um dos fatores que mais contribuem
para o agravamento deste quadro.
Matos (2007) esclarece que, procedimentos
rígidos de trabalho, com pouca autonomia do trabalhador no desenvolvimento de
tarefas; ou excesso de trabalho
inadequado, a monotonia e a fragmentação
do trabalho e a ausência de pautas em tarefas que exigem descansos periódicos,
prejudicam a saúde do trabalhador.
Define-se,
portanto que o trabalho no período contemporâneo, se tornou algo alienante pela
falta de poder, insatisfação, frustração. Os trabalhadores estão em um mundo
insensível e hostil às suas pretensões e necessidades.
Com
o surgimento das doenças psicossomáticas, ocorre de acordo com Matos (2007) a
queda de produção, despesas médicas e administrativas sem retorno, clima
interpessoal negativo, indicação de problema pessoal e diagnóstico de problemas.
Baseando
no pressuposto de que o estresse faz parte da vida humana, sendo ainda,
exacerbado pelas exigências da sociedade moderna é possível afirmar que ele
está presente em todos os contextos de trabalho.
O
estresse é então a reação de um sujeito às agressões sociais, psicológicas ou
profissionais de seu ambiente. Nas palavras de Menezes:
Um dos pontos importantes que podem sustentar esta
realidade é o processo de transformação gradativa das doenças do trabalhador
para doenças do trabalho, alienando o sujeito do seu adoecimento. As lutas
ideológicas ocorridas nos séculos XIX e XX em torno do papel do indivíduo se
substanciaram, de um lado, nas correntes conservadoras que se amparavam numa
concepção individualista, recusando-se reconhecer as determinações sociais. Por
outro lado, correntes mais progressistas criticavam essa concepção e buscavam
uma determinação social que pudesse estar relacionada ao adoecimento do
indivíduo. (MENEZES, 2006,p.55).
[1] O ser
humano é constituído por fatores multivariados, multifatoriais e
multidimensionais. Seu físico, seu psiquismo, sua história de relações com
outras pessoas, com a família, com os grupos sociais. Todos esses fatores se
completam gerando um ser único, sendo impossível dividi-lo