Judith S. Beck, PhD
Sempre que ofereço um workshop, eu pergunto aos presentes quem se considera um terapeuta cognitivo, quem é inexperiente com a terapia cognitiva, e quem utiliza algumas das técnicas da terapia cognitiva no tratamento clínico. Quinze ou vinte anos atrás, somente 10% da platéia se consideravam um terapeuta cognitivo. Atualmente, mais de 75% o fazem. Enquanto que essa porcentagem representa um aumento surpreendente, eu não necessariamente a considero inteiramente como uma boa notícia. Tenho descoberto que a minha definição de um terapeuta cognitivo freqüentemente não reflete a definição adotada pela maioria do meu público.
Ao longo de cada workshop, eu periodicamente e casualmente peço aos participantes que
levantem sua mão caso eles façam o seguinte: 1) checar o humor do paciente de
alguma forma, no início de cada sessão. 2) Estabelecer uma agenda próximo ao
início de cada sessão. 3) Colaborativamente determinar lições de casa em cada
sessão. 4) Pedir um feedback.
Esses elementos
da sessão de terapia meramente refletem, obviamente, o mínimo em termos de
fundamentos estruturais de tratamento. No entanto, apenas cerca de 10% dos
terapeutas presentes em meus workshops, que se identificaram como terapeutas
cognitivos, seguem esses itens tão básicos. Sua definição de um terapeuta
cognitivo tende a ser aquele terapeuta que questiona o pensamento dos
pacientes.
Quando perguntam
sobre a minha definição de um terapeuta cognitivo, respondo que no mínimo,
terapeutas cognitivos fazem o seguinte: 5) Eles continuamente conceituam o
paciente e suas dificuldades de acordo com o modelo cognitivo e usam essa
conceituação para planejar o tratamento ao longo das sessões e durante cada
sessão em particular. 6) Eles continuamente trabalham em prol do
desenvolvimento e manutenção de uma forte aliança terapêutica. 7) Eles coletam
dados no início das sessões e conceituam os problemas dos pacientes a fim de
colaborativamente estabelecer e priorizar uma agenda com o paciente. 8) Eles
ativamente promovem a resolução de problemas e o acompanhamento do processo
através de tarefas de casa estabelecidas colaborativamente (as quais
freqüentemente são de natureza cognitiva ou comportamental). 9) Eles utilizam
uma grande variedade de estratégias para ajudar os pacientes a identificar,
avaliar e responder a disfunções cognitivas chaves, a fim de promover uma
melhora duradoura nas emoções, comportamento, e (freqüentemente) respostas
fisiológicas. 10) Eles continuamente trabalham em direção à prevenção de
recaídas. 11) Eles variam a implementação dos itens acima a fim de atender as
necessidades individuais de cada paciente.
Esses elementos
são necessários, é claro, mas não suficientes para garantir um tratamento
eficaz. Terapeutas cognitivos devem, por exemplo, aprender a formulação
cognitiva e intervenções cognitivas específicas para cada transtorno de que
tratam. Colocar um foco primário nas cognições negativas sobre si mesmo, o
mundo e o futuro (como fazemos na depressão), muito provavelmente não será
eficaz para pacientes com transtorno de pânico (os quais necessitam de um foco
primário em suas interpretações catastróficas de seus sintomas). Terapeutas
devem variar suas intervenções de acordo com os níveis de desenvolvimento e
habilidade intelectual dos pacientes, seu grau de motivação e envolvimento com
o tratamento, sua confiança no terapeuta, sua habilidade para concentrar-se e
focalizar sua atenção, seus estilos de aprendizagem, suas crenças culturais e
muitos outros fatores.
(Tradução: Carla Andréa Serra. Transcrito, com permissão da autora, do boletim “Advances in Cognitive Therapy”, edição Julho de 2006, uma publicação conjunta da ACT – Academy of Cognitive Therapy e da IACP – International Association of Cognitive Psychotherapy)
Fonte:http://www.itcbr.com/artigo_judith.shtml