quinta-feira, 30 de agosto de 2012

TRANSTORNO DE PREOCUPAÇÃO EXCESSIVA

 SETE PASSOS PARA SUPERAR SUAS PREOCUPAÇÕES - Robert L. Leahy, PhD

         Todas as pessoas parecem preocupar-se; e quase todas recebem maus conselhos em como lidar com suas preocupações. Um típico preocupado crônico dirá: “Em toda a minha vida fui uma pessoa preocupada”.  Preocupados crônicos levam quase dez anos para procurar psicoterapia – se é que algum dia procura. E, ao longo desse tempo todo, vêm ouvindo maus conselhos que podem consistir do seguinte: “Você tem que pensar de forma mais positiva”. “Você tem que acreditar em si mesmo”.

As chances de que estes conselhos funcionem são praticamente nulas. Quando percebi que muitos de meus pacientes procuravam terapia reclamando de suas preocupações, pensei: “Qual livro eu poderia recomendar?” Então eu comecei a me preocupar! Não havia nada disponível que realmente fizesse sentido. Mas, ao longo dos últimos oito anos, surgem novos e inovadores trabalhos sobre as razões pelas quais as pessoas se preocupam e como podemos ajudá-las. Decidi então começar a escrever um livro de auto-ajuda para pessoas que se preocupam excessivamente. Qual a melhor forma de se pensar a respeito das preocupações? Imaginemos que estamos tentando ensinar uma pessoa – digamos alguém que vem de outro planeta, como Marte – “Aqui estão algumas regras sobre como se preocupar”. Quais seriam essas regras? 
1. Se algo ruim pode acontecer – se você é capaz de simplesmente imaginar-então é sua responsabilidade se preocupar a respeito. 
2. Não aceite qualquer incerteza – você precisa saber com certeza. 
3. Trate todos os seus pensamentos negativos como se fossem verdadeiros. 
4. Qualquer coisa ruim que venha a acontecer é um reflexo de quem você é como pessoa.  
5. O fracasso é inaceitável. 
6. Livre-se de qualquer sentimento negativo imediatamente. 
7. Trate tudo como se fosse uma emergência. Pense a respeito. Agora que conhece as sete regras, você poderá se preocupar todos os dias de sua vida a respeito de algo que provavelmente nunca ocorrerá. Você tem aí o CAMINHO REAL PARA A INFELICIDADE! Na realidade, estas sete regras são baseadas nas mais recentes pesquisas acerca da natureza das preocupações. O primeiro passo para lidar com suas preocupações é perguntar: “Qual a vantagem que você espera obter ao se preocupar?” Pessoas que se preocupam excessivamente acreditam que simplesmente ter um pensamento – como “Posso fracassar” – significa que elas devem se preocupar a esse respeito. Estas pessoas de fato acreditam que se preocupar irá prepará-las, motivá-las e evitar que jamais sejam surpreendidas. Preocupar-se é uma estratégia. Por exemplo, se você tem uma prova prestes a ocorrer, você poderá tentar qualquer uma das seguintes estratégias:
 1) poderá se preocupar a respeito; 
2) poderá se embebedar; ou
 3) poderá estudar. Qual dessas é a melhor estratégia?Pedimos a pessoas que se preocupam excessivamente que distinguissem entre preocupação produtiva e preocupação improdutiva. Por exemplo, se vou viajar de Nova York a Roma, uma preocupação produtiva envolve AÇÕES QUE POSSO TOMAR AGORA: posso comprar minha passagem aérea e reservar um quarto de hotel. Preocupação improdutiva envolve todos os “e se?” sobre os quais não posso fazer nada a respeito. Estes incluem: “E se minha apresentação não for bem?”, ou “E se eu me perder em Roma?”, ou ainda “E se alguém não gostar de mim?”. Isso nos leva ao segundo passo – lidando com a incerteza. Pesquisas demonstram que pessoas que se preocupam excessivamente não toleram a incerteza. Ironicamente, 85% das coisas sobre as quais os preocupados se preocupam tendem a ter um resultado positivo. E, mesmo que o resultado seja negativo, em 79% dos casos, os preocupados dizem: “Lidei com isso melhor do que esperava”. Ajudamos os preocupados a comprometer-se a aceitar a incerteza. Na verdade, você já aceita muitas incertezas na sua vida. Exigir certeza é inútil; portanto podemos procurar por algumas vantagens em se ter algum grau de incerteza. Estas incluem novidade, surpresa, desafio, mudança e crescimento. Caso contrário, a vida é entediante. Juntamente com a aceitação de algum grau de incerteza, sabemos que pessoas que se preocupam de forma excessiva evitam experiências desconfortáveis. Então pedimos a estas pessoas que listassem todas as coisas que evitavam fazer e começassem a fazê-las. A meta, nesse caso, é “desconforto construtivo” e “imperfeição bem sucedida”.  Você tem de se sentir desconfortável para motivar-se a crescer e mudar; e o sucesso é adquirido a custo de imperfeições. Descobri que estas idéias podem ser muito fortalecedoras. Uma vez que você descobre que já está desconfortável (porque você é uma pessoa que se preocupa de forma excessiva e provavelmente está um pouco deprimido), você pode ao menos usar o seu desconforto para fazer progresso. O terceiro passo refere-se à forma como você avalia o seu pensamento. Pessoas que se preocupam excessivamente têm uma “fusão pensamento-realidade”. Elas acreditam que “Se eu achar que há a possibilidade de eu vir a ser rejeitado, então isso se tornará realidade – a menos que eu me preocupe a respeito e faça todo o possível para que isso não ocorra”. Nesse sentido, as preocupações são como obsessões – pessoas tratam seus pensamentos como se já fossem fatos. Erros típicos de pensamento incluem “leitura de pensamento” (Ele acha que sou um perdedor), conclusões precipitadas (Eu não sei algo, portanto irei fracassar), racionalização emocional (Sinto-me nervoso, então as coisas não darão certo), perfeccionismo (Preciso ser perfeito para ser confiante), e descontar o positivo (O fato de que fui bem sucedido no passado não é garantia de nada). Os excessivamente preocupados também têm idéias de “emergência repentina” – tais como, pensamentos do tipo “descida escorregadia” (Se essa tendência continuar, as coisas poderão continuar desabando rapidamente) ou “armadilha” (Eu poderei cometer um erro e minha vida inteira poderá desmoronar).  Os preocupados podem desafiar e testar seus pensamentos – “Qual o pior resultado, o melhor e o mais provável?”, “Quais as coisas que eu poderia fazer para lidar com um problema real?”, “Há evidências de que o resultado poderá ser ok?”, e “Estou fazendo as mesmas previsões futuras erradas que eu sempre faço?” O quarto passo para lidar com a preocupação excessiva é reconhecer como sua personalidade contribui para o problema. Também sabemos que as pessoas diferem entre si com relação ao que as preocupa. Algumas pessoas se preocupam a respeito de dinheiro, outras a respeito de saúde, e outras sobre o que outras pessoas pensam acerca delas. E a preocupação também está relacionada à sua personalidade. Por exemplo, você pode estar preocupado em ser abandonado ou em se tornar desamparado e incapaz de cuidar de si mesmo, ou pode estar preocupado de que não é religioso ou moral o suficiente, ou ainda de que não é superior aos demais. Podemos utilizar as técnicas da terapia cognitiva para ajudar as pessoas a modificar essas preocupações. Por exemplo, podemos examinar os custos e benefícios de pensar em termos tão rígidos – tudo ou nada. Ou você pode se perguntar que conselho poderia oferecer a um amigo na mesma situação. Ou podemos estabelecer experimentos, nos quais você não solicita proteção a outros, ou não precisa agir com perfeição, ou passe tempo sozinho (se você acha que sempre precisa de alguém). Você também pode praticar escrever afirmações assertivas ao familiar que o ensinou todas essas coisas negativas a seu respeito. O quinto passo refere-se a suas idéias a respeito de fracasso. Preocupados acreditam que o fracasso é inaceitável – e que tudo pode ser visto como um possível fracasso. Se você vai a uma festa e alguém não é amigável, então VOCÊ FRACASSOU. Quando eu estava na faculdade, tinha um amigo, Fred, que fez um trabalho para uma disciplina de Economia. Era um plano de negócios de um serviço de remessa rápida noturna, nos Estados Unidos. Seu professor lhe deu uma nota baixa, alegando “Isto é irrealista. Nunca irá funcionar”. Ele se formou da faculdade e se tornou o fundador da FEDERAL EXPRESS. Fracasso?Utilizo vinte estratégias para lidar com o medo do fracasso. Exemplos de dez destas estratégias incluem as seguintes: 
1. Eu posso focalizar naquilo que consigo controlar.  
2. Eu consigo focalizar em outros comportamentos que serão bem-sucedidos.  
3. Não era essencial ser bem-sucedido naquela tarefa.
 4. Adotei alguns comportamentos que não valeram à pena. 5. Todos fracassam em alguma coisa.  6. Talvez ninguém tenha notado.
 7. Minha meta estava correta?
 8. Fracasso não é fatal. 
9. Os meus padrões eram altos demais? 
10. Desempenhei melhor do que anteriormente? O sexto passo aborda como você lida com suas emoções. Pesquisas demonstram que a preocupação é uma forma de evitação emocional – quando as pessoas engajam-se em preocupações estão ativando o lado “PENSANTE” de seus cérebros – e não se permitindo sentir uma emoção. A preocupação é abstrata. Quando interrompem a seqüência de “e se?”, estas pessoas experienciam tensão, suor, taquicardia ou insônia. Observamos que pessoas que se preocupam excessivamente têm dificuldade em rotular suas emoções e tendem a ter visões muito negativas sobre elas. Ajudamos preocupados a aceitar e valorizar suas emoções, a reconhecer que os outros também têm as mesmas emoções, que é normal ter “sentimentos conflitantes”, e que as emoções dolorosas podem sinalizar suas necessidades e refletir seus mais altos valores. Emoções são temporárias – se você permitir que elas ocorram. Finalmente, pessoas que se preocupam excessivamente acreditam que o mal chegará muito em breve. Acreditam que o fracasso, a rejeição, a ruína financeira, ou doenças fatais as atingirão muito rapidamente. Tudo é uma emergência: “Eu preciso saber agora mesmo”. Ensinamos estas pessoas a desligar o senso de urgência, a se distanciar de seu medo do futuro, e a viver e apreciar o momento presente. Os excessivamente preocupados também podem se imaginar entrando em uma máquina do tempo e se perguntado: como me sentirei um mês após o evento ter se ocorrido é que um dia realmente ocorrerá? Como tenho lidado com problemas que de fato existem? E, sobre o que me preocupei no ano passado? Interessantemente, uma vez que a maioria das preocupações nunca se torna realidade, essas pessoas freqüentemente dizem, “Eu não consigo recordar sobre o que me preocupei no ano passado”.  Isto nos revela que o que o está preocupando neste momento é algo que logo você esquecerá.