Todas as pessoas parecem preocupar-se; e quase
todas recebem maus conselhos em como lidar com suas preocupações. Um típico
preocupado crônico dirá: “Em toda a minha vida fui uma pessoa preocupada”. Preocupados crônicos levam quase dez anos
para procurar psicoterapia – se é que algum dia procura. E, ao longo desse
tempo todo, vêm ouvindo maus conselhos que podem consistir do seguinte: “Você
tem que pensar de forma mais positiva”. “Você tem que acreditar em si mesmo”.
As chances de que estes conselhos funcionem são praticamente nulas. Quando percebi que muitos de meus pacientes procuravam terapia reclamando de suas preocupações, pensei: “Qual livro eu poderia recomendar?” Então eu comecei a me preocupar! Não havia nada disponível que realmente fizesse sentido. Mas, ao longo dos últimos oito anos, surgem novos e inovadores trabalhos sobre as razões pelas quais as pessoas se preocupam e como podemos ajudá-las. Decidi então começar a escrever um livro de auto-ajuda para pessoas que se preocupam excessivamente. Qual a melhor forma de se pensar a respeito das preocupações? Imaginemos que estamos tentando ensinar uma pessoa – digamos alguém que vem de outro planeta, como Marte – “Aqui estão algumas regras sobre como se preocupar”. Quais seriam essas regras?
1. Se algo ruim pode acontecer – se você
é capaz de simplesmente imaginar-então é sua responsabilidade se preocupar a
respeito.
2. Não aceite qualquer incerteza – você precisa saber com certeza.
3.
Trate todos os seus pensamentos negativos como se fossem verdadeiros.
4.
Qualquer coisa ruim que venha a acontecer é um reflexo de quem você é como
pessoa.
5. O fracasso é inaceitável.
6.
Livre-se de qualquer sentimento negativo imediatamente.
7. Trate tudo como se
fosse uma emergência. Pense a respeito. Agora que conhece as sete regras, você
poderá se preocupar todos os dias de sua vida a respeito de algo que
provavelmente nunca ocorrerá. Você tem aí o CAMINHO REAL PARA A INFELICIDADE! Na
realidade, estas sete regras são baseadas nas mais recentes pesquisas acerca da
natureza das preocupações. O primeiro passo para lidar com suas preocupações é
perguntar: “Qual a vantagem que você espera obter ao se preocupar?” Pessoas que
se preocupam excessivamente acreditam que simplesmente ter um pensamento – como
“Posso fracassar” – significa que elas devem se preocupar a esse respeito.
Estas pessoas de fato acreditam que se preocupar irá prepará-las, motivá-las e
evitar que jamais sejam surpreendidas. Preocupar-se é uma estratégia. Por
exemplo, se você tem uma prova prestes a ocorrer, você poderá tentar qualquer
uma das seguintes estratégias:
1) poderá se preocupar a respeito;
2) poderá se
embebedar; ou
3) poderá estudar. Qual dessas é a melhor estratégia?Pedimos a
pessoas que se preocupam excessivamente que distinguissem entre preocupação
produtiva e preocupação improdutiva. Por exemplo, se vou viajar de Nova York a
Roma, uma preocupação produtiva envolve AÇÕES QUE POSSO TOMAR AGORA: posso
comprar minha passagem aérea e reservar um quarto de hotel. Preocupação
improdutiva envolve todos os “e se?” sobre os quais não posso fazer nada a
respeito. Estes incluem: “E se minha apresentação não for bem?”, ou “E se eu me
perder em Roma?”, ou ainda “E se alguém não gostar de mim?”. Isso nos leva ao
segundo passo – lidando com a incerteza. Pesquisas demonstram que pessoas que
se preocupam excessivamente não toleram a incerteza. Ironicamente, 85% das
coisas sobre as quais os preocupados se preocupam tendem a ter um resultado
positivo. E, mesmo que o resultado seja negativo, em 79% dos casos, os
preocupados dizem: “Lidei com isso melhor do que esperava”. Ajudamos os
preocupados a comprometer-se a aceitar a incerteza. Na verdade, você já aceita
muitas incertezas na sua vida. Exigir certeza é inútil; portanto podemos
procurar por algumas vantagens em se ter algum grau de incerteza. Estas incluem
novidade, surpresa, desafio, mudança e crescimento. Caso contrário, a vida é
entediante. Juntamente com a aceitação de algum grau de incerteza, sabemos que
pessoas que se preocupam de forma excessiva evitam experiências
desconfortáveis. Então pedimos a estas pessoas que listassem todas as coisas
que evitavam fazer e começassem a fazê-las. A meta, nesse caso, é “desconforto
construtivo” e “imperfeição bem sucedida”.
Você tem de se sentir desconfortável para motivar-se a crescer e mudar;
e o sucesso é adquirido a custo de imperfeições. Descobri que estas idéias podem
ser muito fortalecedoras. Uma vez que você descobre que já está desconfortável
(porque você é uma pessoa que se preocupa de forma excessiva e provavelmente
está um pouco deprimido), você pode ao menos usar o seu desconforto para fazer
progresso. O terceiro passo refere-se à forma como você avalia o seu
pensamento. Pessoas que se preocupam excessivamente têm uma “fusão
pensamento-realidade”. Elas acreditam que “Se eu achar que há a possibilidade
de eu vir a ser rejeitado, então isso se tornará realidade – a menos que eu me preocupe
a respeito e faça todo o possível para que isso não ocorra”. Nesse sentido, as
preocupações são como obsessões – pessoas tratam seus pensamentos como se já
fossem fatos. Erros típicos de pensamento incluem “leitura de pensamento” (Ele
acha que sou um perdedor), conclusões precipitadas (Eu não sei algo, portanto
irei fracassar), racionalização emocional (Sinto-me nervoso, então as coisas
não darão certo), perfeccionismo (Preciso ser perfeito para ser confiante), e
descontar o positivo (O fato de que fui bem sucedido no passado não é garantia
de nada). Os excessivamente preocupados também têm idéias de “emergência
repentina” – tais como, pensamentos do tipo “descida escorregadia” (Se essa
tendência continuar, as coisas poderão continuar desabando rapidamente) ou
“armadilha” (Eu poderei cometer um erro e minha vida inteira poderá
desmoronar). Os preocupados podem
desafiar e testar seus pensamentos – “Qual o pior resultado, o melhor e o mais
provável?”, “Quais as coisas que eu poderia fazer para lidar com um problema
real?”, “Há evidências de que o resultado poderá ser ok?”, e “Estou fazendo as
mesmas previsões futuras erradas que eu sempre faço?” O quarto passo para lidar
com a preocupação excessiva é reconhecer como sua personalidade contribui para
o problema. Também sabemos que as pessoas diferem entre si com relação ao que
as preocupa. Algumas pessoas se preocupam a respeito de dinheiro, outras a
respeito de saúde, e outras sobre o que outras pessoas pensam acerca delas. E a
preocupação também está relacionada à sua personalidade. Por exemplo, você pode
estar preocupado em ser abandonado ou em se tornar desamparado e incapaz de
cuidar de si mesmo, ou pode estar preocupado de que não é religioso ou moral o
suficiente, ou ainda de que não é superior aos demais. Podemos utilizar as técnicas
da terapia cognitiva para ajudar as pessoas a modificar essas preocupações. Por
exemplo, podemos examinar os custos e benefícios de pensar em termos tão
rígidos – tudo ou nada. Ou você pode se perguntar que conselho poderia oferecer
a um amigo na mesma situação. Ou podemos estabelecer experimentos, nos quais
você não solicita proteção a outros, ou não precisa agir com perfeição, ou
passe tempo sozinho (se você acha que sempre precisa de alguém). Você também
pode praticar escrever afirmações assertivas ao familiar que o ensinou todas
essas coisas negativas a seu respeito. O quinto passo refere-se a suas idéias a
respeito de fracasso. Preocupados acreditam que o fracasso é inaceitável – e
que tudo pode ser visto como um possível fracasso. Se você vai a uma festa e
alguém não é amigável, então VOCÊ FRACASSOU. Quando eu estava na faculdade,
tinha um amigo, Fred, que fez um trabalho para uma disciplina de Economia. Era
um plano de negócios de um serviço de remessa rápida noturna, nos Estados
Unidos. Seu professor lhe deu uma nota baixa, alegando “Isto é irrealista.
Nunca irá funcionar”. Ele se formou da faculdade e se tornou o fundador da
FEDERAL EXPRESS. Fracasso?Utilizo vinte estratégias para lidar com o medo do
fracasso. Exemplos de dez destas estratégias incluem as seguintes:
1. Eu posso
focalizar naquilo que consigo controlar.
2. Eu consigo focalizar em outros comportamentos que serão
bem-sucedidos.
3. Não era essencial ser
bem-sucedido naquela tarefa.
4. Adotei alguns comportamentos que não valeram à
pena. 5. Todos fracassam em alguma coisa.
6. Talvez ninguém tenha notado.
7. Minha meta estava correta?
8.
Fracasso não é fatal.
9. Os meus padrões eram altos demais?
10. Desempenhei
melhor do que anteriormente? O sexto passo aborda como você lida com suas emoções.
Pesquisas demonstram que a preocupação é uma forma de evitação emocional – quando
as pessoas engajam-se em preocupações estão ativando o lado “PENSANTE” de seus
cérebros – e não se permitindo sentir uma emoção. A preocupação é abstrata.
Quando interrompem a seqüência de “e se?”, estas pessoas experienciam tensão,
suor, taquicardia ou insônia. Observamos que pessoas que se preocupam
excessivamente têm dificuldade em rotular suas emoções e tendem a ter visões
muito negativas sobre elas. Ajudamos preocupados a aceitar e valorizar suas
emoções, a reconhecer que os outros também têm as mesmas emoções, que é normal
ter “sentimentos conflitantes”, e que as emoções dolorosas podem sinalizar suas
necessidades e refletir seus mais altos valores. Emoções são temporárias – se
você permitir que elas ocorram. Finalmente, pessoas que se preocupam
excessivamente acreditam que o mal chegará muito em breve. Acreditam que o
fracasso, a rejeição, a ruína financeira, ou doenças fatais as atingirão muito
rapidamente. Tudo é uma emergência: “Eu preciso saber agora mesmo”. Ensinamos
estas pessoas a desligar o senso de urgência, a se distanciar de seu medo do
futuro, e a viver e apreciar o momento presente. Os excessivamente preocupados
também podem se imaginar entrando em uma máquina do tempo e se perguntado: como
me sentirei um mês após o evento ter se ocorrido é que um dia realmente
ocorrerá? Como tenho lidado com problemas que de fato existem? E, sobre o que
me preocupei no ano passado? Interessantemente, uma vez que a maioria das
preocupações nunca se torna realidade, essas pessoas freqüentemente dizem, “Eu
não consigo recordar sobre o que me preocupei no ano passado”. Isto nos revela que o que o está preocupando
neste momento é algo que logo você esquecerá.