O luto é um quadro clínico
que apresenta sinais e sintomas específicos, tanto emocionais
quanto cognitivos e comportamentais, diferentes dos quadros de depressão.
Os casos de luto decorrente de morte imprevista, assim como aqueles que
envolvem a morte de um companheiro de longa data, apresentam particularidades que serão importantes na condução do
planejamento terapêutico.
Enquanto a
rede de apoio social, mais do que a qualidade do relacionamento com o cônjuge,
exerce influência sobre a depressão e outros sintomas do luto, a qualidade
dessa relação afeta a saudade percebida após a perda. Entre jovens,
é relatada maior incidência de depressão e alcoolismo nos dois anos seguintes a
perdas por morte imprevista.
No caso de morte de cônjuge, os parceiros sobreviventes sofrem
grande pressão social para rapidamente retornarem às suas rotinas, tendo seus
recursos internos fortemente mobilizados para conseguirem lidar com a tristeza
e, simultaneamente, retomarem sua funcionalidade. Pacientes em luto
apresentam maior incidência de problemas psicossomáticos, busca por atendimento
médico para queixas orgânicas e maior número de internações do que a população
geral.
Atualmente o luto é classificado no eixo V, referente à avaliação
global do funcionamento, do DSM-IV-TR, com código 62.82, e na categoria Z da
CID-10. Estudos recentes avaliam a inclusão do luto entre os transtornos mentais
no DSM-V e na CID-11, mas, apesar disso, ainda são escassos os
estudos disponíveis na literatura, voltados para a avaliação de procedimentos
terapêuticos específicos para esse quadro.
Adriana Cardoso de Oliveira e SilvaI; Antonio Egidio NardiII
ILaboratório de Tanatologia e Psicometria da Universidade Federal Fluminense (UFF), INCT