O
princípio básico da Terapia Cognitiva pode ser resumido da seguinte forma:
nossas respostas emocionais e comportamentais, bem como nossa motivação, não
são influenciadas diretamente por
situações, mas sim pela forma como processamos essas situações, em outras
palavras, pelas interpretações que fazemos dessas situações, por nossa
representação dessas situações, ou pelo significado que atribuímos a elas. As
nossas interpretações, representações ou atribuições de significado,
por sua vez, refletem-se no conteúdo de nossos pensamentos automáticos,
contidos em vários fluxos paralelos de processamento cognitivo que ocorrem em
nível pré-consciente. O conteúdo de nossos pensamentos automáticos,
pré-conscientes, reflete a ativação de estruturas básicas inconscientes, os
esquemas e crenças, e o significado atribuído pelo sujeito ao real. Um exemplo simples para ilustrar esse
princípio:
Suponhamos
que nos encontremos casualmente com um amigo que não nos cumprimenta. Se
pensarmos “ele não quer mais ser meu amigo”, nossa emoção será tristeza e nosso
comportamento será possivelmente afastarmo-nos do amigo. Se, porém, pensarmos
“oh, será que ele está aborrecido comigo?”, nossa emoção será apreensão e nosso
comportamento será procurar o amigo e perguntar o que está havendo. Ou ainda, se pensarmos “quem ele pensa que é
para não me cumprimentar? Ele que me aguarde!”, nossa emoção poderia ser raiva
e o comportamento, confrontaríamos o amigo. Porém, diante da mesma situação,
podemos ainda pensar “não me cumprimentou... acho que não me viu”; e, nesse
caso, nossas emoções e comportamentos seguiriam inalterados. Este exemplo ilustra, portanto, que nossas
interpretações, representações, ou atribuições de significado atuam como
variável mediacional entre o real e as nossas respostas emocionais e comportamentais.
Daí decorre que, para modificar emoções e comportamentos, intervimos sobre a
forma do indivíduo processar informações, ou seja, interpretar, representar ou
atribuir significado a eventos, em uma tentativa de promover mudanças em seu
sistema de esquemas e crenças.
Essas
intervenções objetivariam uma reestruturação cognitiva do paciente, o que o
levará a processar informação no futuro de novas formas.